Dia 20/07 decidimos conhecer Cerro Castor. Estávamos em dúvida se iríamos ao Cerro Castor ou ao Glacial Martial, outro centro de ski, só que este fica em Ushuaia mesmo. E decidimos conhecer o Cerro Castor porque não poderíamos estar tão próximos de um dos mais novos, modernos e badalados centros de ski da Argentina, e não conhecê-lo. Sim, nós, exímios esquiadores que somos, escolhemos Cerro Castor porque seria a melhor estação para se esquiar….(hã, hã)…
E lá se foram mais 27 km de Ushuaia ao Cerro Castor, em direção ao norte de novo…Estranho né, mas quanto mais ao norte da ilha mais neve e frio. Juro que minha lógica era outra até conhecer a Tierra Del Fuego.
Saimos do hotel às 8:50. O transfer chegou com 20 minutos de atraso devido a um problema no freio da van…Fomos então em dois remis até Cerro Castor. Melhor assim!
Chegamos lá por volta de 9:30 e vi o caos. Filas enormes, lotada de brasileiros e esquiadores novatos. E nós, os mais novatos entre os novatos (ao menos esta era a minha impressão), no meio da multidão. Ficamos uns bons minutos numa fila que seria a fila para alugarmos toda a indumentária de ski e…..como sói poderia acontecer com nosotros…na nossa hora o equipamento acabou. E eu que achei que estaria madrugando no local.
Bem, passada a decepção, descobrimos que alguns metros do galpão onde estávamos tinha um outro lugar que também alugava os mesmos equipamentos e que estava mais tranquilo, mas nem tanto também. E lá fomos nós para mais uma fila. Chegada a nossa vez, começamos a colocar as botas de ski. Botas calçadas e comecei a desconfiar que não teria a mínima vocação para este negócio de esquiar. Tudo ali, naquele momento, me incomodava. Da longa espera à bota que apertava horrores e não me permitia qualquer movimento mais ousado (como uma simples volta) sem o mínimo risco de cair igual uma jaca podre no chão e pagar o maior mico da minha vida.
Acabou…não, óbvio que não…
Mais uma fila, agora para pegarmos os skis de fato (sei lá se o nome é este mesmo)….Passada 1 hora desde o momento que chegamos, estou na fila do ski “tranquila e feliz” até que uma pessoa me aborda… – Você é Luciana Pires? – Sim, sou eu. – Seu marido está no outro galpão igual um louco te procurando…Pois é, na correria e na loucura eu havia esquecido o Mauro e João, sozinhos e sem dinheiro (a carteira dele estava comigo). Mauro seria o caloteiro de Cerro Castor..kkkk….A boa alma foi lá e avisou Mauro onde estávamos. Ele, então, foi lá nos encontrar. E para minha surpresa o humor estava até bom, considerando que ele teve que “pendurar a conta” no bar em que estava com o João enquanto nos aguardava.
Finda a maratona, às 11:30, exatas 2 horas depois, estávamos nos ambientando, comprando os óculos para as crianças e eu uma luva para mim, quando vi o local de aluguel vazio, um oasis. O que aprendi: da próxima vez chego só às 11h. e vou sozinha, sem transfer, porque com transfer só com estes horários marcados e aí temos que enfrentar esta maratona de turistada despreparada. É, porque, obviamente, os “locais” já tem o seu equipamento e, se chegam cedo, já sobem direto para esquiar.
Todos prontos, primeiros passos até a porta do galpão e descobrimos que a parte da frente da loja está com bastante gelo. Aumentam as chances de cairmos já que as botas de esqui, como disse, nos dão pouca ou nenhuma mobilidade e o solado é bem liso também. Some-se a isto, ainda, nosso total despreparo. Decidimos então colocar os skis para sair do galpão. Todos prontos…..1, 2, 3….todos prontos (leia-se: Luca, Pedro, Eu e Vovô Luiz) lá vamos nós…..bem, quase todos, porque eu tomei a maior vaca de toda a minha vida e seria engraçado não fosse o fato de eu quase ter quebrado o meu joelho na vã tentativa de levantar. Passado o susto todos rimos e muito, do tombo, da minha atolação total ao levantar….Foi tudo muito rápido e dado o susto…ficamos sem fotos do mico para ilustrar o post.
Levantei e com certeza a esta altura estava mais do que insegura. As crianças e vovo Luiz estavam se saindo super bem, na medida do possível para um primeiro dia. Eu continuava insegura e pouco me aventurava e quando tentava não conseguia evoluir muito no plano, pois meu excelente preparo físico ficou no Brasil e meus braços não me ajudavam com a força necessária para que eu pudesse esquiar com um mínimo de dignidade. Seguem as únicas fotos que tirei apenas para provar que um dia tentei viver esta experiência.

Uns 30 a 40 minutos depois de nos ambientarmos na parte plana eu decidi devolver os skis para subir até a estação mais tranquila. Na sequência vovô Luiz resolveu seguir meu ato de sanidade e também devolver os skis. Skis devolvidos….João decidi finalmente que quer esquiar, em Cerro não tinha o skibunda que ele tanto queria brincar. Mauro paga a aula de ski para ele no Jardín de Nieve. Infelizmente já não haviam mais vagas nas aulas para as crianças maiores. João então vai comigo e vovô Luiz alugar os skis. Olha que graça o meu esquiador.

Todos finalmente prontos…1 hora da tarde lá vamos nós subir as aerosillas…e que frio e tenso foi este momento. Eu M-O-R-R-O de medo de altura e o frio glacial só apimentou ainda mais este momento!
Pedro e Luca sobem de ski no pé…legal, né?! Esquiadores mirins….só que não sabíamos que só poderia fazer isto quem já sabe esquiar. Resultado, mais um mico…Aerosillas paradas para que pudessemos descer sem risco para as crianças.
Já lá em cima vou procurar onde é o Jardin de nieve. Encontramos o local e deixamos o João com a instrutora Maria. Voltamos para encontrar Pedro e Luca. Os dois já entediados porque não sabem esquiar direito. Resolvemos então deixar os skis num local específico para guardar os skis e entrar no restaurante para dar um lanche para eles. Enquanto isto João no Jardín de Nieve tendo aulas.
Decidimos então voltar para ver o João. Não estava tão segura de que ele estaria gostando, principalmente considerando que os instrutores não eram lá muito bons no português e vejam só que graça meu pequeno nos seus primeiros passos de ski…
Depois que chegamos João decide abandonar a aula. Ele já estava cansado. Se manter em pé nos skis é uma tarefa bastante cansativa. O último gabriel então sucumbe….
Vamos para um canto com muita neve e voltamos à brincadeira que mais gostamos, guerra de bola de neve….não sem antes cometer outra gafe…entrarmos na fila para mais uma aerosilla visando o topo do Cerro Castor…só que o topo está reservado para apenas esquiadores. Saimos da fila para a nosssa brincadeira favorita.
Depois decidimos voltar à base já eram quase 16h e o transfer nos pegaria às 17h. Descemos entregamos os skis das crianças e eu e vovô Luiz paramos para comer. Estão sentindo falta do Mauro….este tempo todo ele, que não quis desafiar as leis da física, ficou em terra firme na base da estação, lendo um livro tranquilo, tranquilo…Neste momento então estávamos todos juntos de novo.
As crianças resolveram que comeriam a sobremesa um helado e João decide provar o helado de calafate…e que delícia de sorvete…sabor tão incomparavelmente delicioso que nós adultos resolvemos também comer…

Senhoras e Senhores, ele...o helado de calafate
Todos de estômago forrado com sanduba e helado de calafate é hora de partirmos de volta para Ushuaia. Todos acabados.
Foi então que conheci melhor a pessoa que salvou Mauro e me encontrou. Maira Hora, colunista do Diário de Bordo, blog de turismo da Folha de São Paulo. Muito simpática e atenciosa já era a, salvo engano, 10a vez que estava visitando Ushuaia. É esta terra é viciante mesmo. Maira nos deu muitas dicas legais sobre a cidade. Gostaria de agradecê-la em especial por nos ter indicado conhecer uma casa de chá no Glacial Martial. Decidimos então incluir o Glacial no nosso último dia em Ushuaia antes de irmos para a nossa última grande aventura a Nieve y Fuego.
Resumo do dia…esquiar de novo só se for numa viagem específica para isto e passarmos no mínimo 7 dias tendo aulas. Mas se for por minha vontade este dia não chegará tão cedo.